24 de mai. de 2009


Fortaleza
queimada
de sol

E o sol apareceu, neste domingo, algo assim, radiante, sem vaias, como, outrora, fizeram (coisa da picardia e da molecagem cearense), há 67 anos, no coração da cidade – a Praça do Ferreira. O domingo de sol me fez lembrar Antonio Bandeira (1922-1967), apaixonado pela cidade onde nasceu. Há 50 anos, ele pintou Cidade Queimada de Sol – Homenagem a Fortaleza (óleo sobre tela que hoje pertence ao acervo do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará) e depois, fez um poema com o mesmo título.
Em dias de muita chuva, o sol aparecendo de quando em vez, é supimpa ver e ler Bandeira. E viver na cidade amada. E num domingo de sol. É benção.
CIDADE QUEIMADA DE SOL (1961)

Fortaleza
Te ofereço
esse carinho de viajor
do filho
que não sabe
se vem ou se vai
o que olha e medita
indo e voltando
à sua cidade
envelhecendo e remoçando
com ela (ela és tu)
Fortaleza
te ofereço
esse carinho de gente
para outra gente
(porque é gente a que
nasce de teu ventre)
de corpo e alma também
ofereço
cadinho de ferro e bronze
(uma lembrança de meu pai)
cadinho de corpo e alma
esse cadinho de raças
Fortaleza.

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