8 de abr de 2010


A Arte de Perguntar

Por Luiz Cláudio Cunha

O jornalista Geneton Moraes Neto, é um gênio da raça. Da raça dos jornalistas. Sua empreitada atual é escarafunchar os subterrâneos da ditadura militar, ouvindo agora a voz sempre silenciosa de alguns de seus principais personagens: os generais.

No sábado (3/4), o Globonews Dossiê de Geneton entrevistou o general Leônidas Pires Gonçalves, ex-comandante do DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro, no período mais sangrento do governo Ernesto Geisel.

No sábado (10/4), será a vez do general Newton Cruz, o notório Comandante Militar do Planalto, que em 1984 chicoteava os carros na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, enquanto suas tropas cercavam o Congresso no momento em que o trator governista esmagava em plenário a emenda das Diretas Já.

Fantasias fardadas

O primeiro impacto foi provocado pela bombástica entrevista de Leônidas, mais conhecido como o primeiro ministro do Exército pós-ditadura, o general nomeado por Tancredo Neves e que se tornou o principal cabo eleitoral e fiador da posse de José Sarney. No Globonews Dossiê, a primeira surpresa é que o entrevistado aparece não como o ministro da democracia, mas como o chefe da repressão da ditadura. Leônidas é identificado, na legenda, como "chefe do DOI-CODI, 1974-77".

O general falou, com uma fluência inédita e uma sinceridade desconcertante, levantando temas que beiram a fantasia, a leviandade e a arrogância. Desafiou qualquer um a dizer que foi torturado no DOI-CODI que ele comandou durante quase três anos, na fase mais turbulenta do governo Geisel. "Não houve tortura na minha área", garantiu Leônidas.

Deve ser um milagre na Terra, porque no mesmo I Exército, comandado pelo general Sylvio Frota entre julho de 1972 e março de 1974, o DOI-CODI carioca era um centro de morte, conforme apurou O Globo. Naquele espaço de 21 meses, contou o jornal, morreram 29 presos nas masmorras da Rua Barão de Mesquita, onde funcionava o centro de torturas do Exército, comandado pelo notório major Adyr Fiúza de Castro, um dos radicais mais temidos da ditadura. Bastou chegar ali e assumir o DOI-CODI carioca, diz o general Leônidas, e a paz dos anjos se instalou.

Confessa que foi dele a idéia de subornar um ex-dirigente do PCdoB, Manoel Jover Telles, que revelou local, dia e hora da reunião do Comitê Central do partido, em dezembro de 1976, em São Paulo. Leônidas diz que entregou uma quantia equivalente a R$ 150 mil à filha do delator, que depois ganhou um emprego na fábrica de armas Rossi, em São Leopoldo, onde hoje vive aposentado. A operação de cerco foi montada pelo chefe do setor de operações do CIE (Centro de Informações do Exército), coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o criador e primeiro chefe do DOI-CODI paulista do II Exército, na Rua Tutóia.

Ustra comandou pessoalmente o ataque à casa do PCdoB, num tiroteio que prendeu dirigentes e matou três chefes do partido num entrevero sangrento conhecido como o "Massacre da Lapa". Por coincidência, o coronel Ustra chefiou a tropa de ataque do CIE no mesmo período – 1974-77 – em que o general Leônidas comandava o remanso de paz da Barão de Mesquita. Entre outras fantasias, Leônidas continua acreditando que o jornalista Vladimir Herzog é apenas um "suicida assustado" pelo simples fato de ser convocado ao centro de torturas da Tutóia.

Efeitos desastrosos

O que não surpreende, nesta entrevista, é a competência do entrevistador, talvez o melhor perguntador da imprensa brasileira. Aos 54 anos, Geneton Moraes Neto é um repórter discreto, persistente, talentoso e criativo, que tem o faro da notícia e uma habilidade invulgar para fazer as perguntas precisas para as pessoas certas nos momentos mais inesperados, jogando luz sobre a história e dissecando biografias com a precisão de um legista. No seu blog, faz um relato bem-humorado de uma carreira que começou como repórter no Recife, onde nasceu, passou por Paris, onde sobreviveu como camareiro de hotel, motorista e estudante de cinema, e continua agora no Rio, onde é um dos astros mais tímidos da equipe de jornalismo da Rede Globo. Lá foi editor-executivo do Jornal da Globo e do Jornal Nacional, correspondente em Londres, repórter e editor-chefe do Fantástico, até pousar na Globonews como repórter de matérias especiais.

Entre uma e outra pauta na TV, Geneton ainda encontra tempo, método e talento para escrever. Já são nove livros, entre 1983 e 2007, que revelam o prazer visceral de um jornalista veterano que exibe o ardor de um repórter iniciante. Ele mesmo se descreve, exibindo a diversidade de quem descobre temas e personagens de velhas histórias renascidas e recontadas com o viço de coisas novas, diferentes e inéditas. Escreve Geneton sobre seu fascínio pelo bom jornalismo e suas peripécias:

"É a melhor profissão para quem não consegue ser outra coisa na vida. [Tive] a chance de percorrer corredores da morte em prisões de segurança máxima americanas, ruínas de campos de concentração na Alemanha, além de entrevistar três astronautas que pisaram na Lua, duas sobreviventes do naufrágio do Titanic, o co-piloto do avião que jogou a bomba atômica sobre Hiroshima, o produtor de todos os discos dos Beatles, o assassino do líder negro Martin Luther King, o promotor britânico que comandou a condenação dos criminosos nazistas no Tribunal de Nuremberg, o agente secreto britânico que armou um atentado – frustrado – para matar Hitler, o golpista que engendrou o célebre assalto ao trem pagador inglês. Entre trancos e barrancos, o jornalismo pode valer a pena."

E vale mais a pena quando vem pelo cálamo e pelo talento de Geneton, que consegue tornar simples uma dos mais complexos fundamentos do jornalismo: a arte de perguntar.

Uma pergunta bem formulada, precisa, cirúrgica, não deixa saída ao entrevistado, não permite fuga, não abre desvios. O bom repórter, antes da acuidade para ouvir, deve ter a competência para inquirir. E, neste campo, ninguém é melhor, mais certeiro, mais direto do que Geneton. Seus livros e seus programas na TV valem por um curso completo de jornalismo.

Algo mais doura esta habilidade inata de Geneton. Suas perguntas são objetivas, enxutas, minimalistas. Deve-se desconfiar, sempre, de repórteres que gastam cinco, dez, quinze linhas para formular uma simples pergunta, o que acaba revelando geralmente uma cabeça complicada, enredada, confusa. Os repórteres brasileiros estão cada vez mais prolixos, fluviais, espichados, em perguntas que mais confundem do que explicam.

A receita fica pior quando o repórter atrapalhado resolve emendar duas, três, quatro perguntas numa só. Em jornalismo escrito, é um erro factual. Na telinha da TV, é um erro mortal, porque tem dois efeitos desastrosos. Para o entrevistado, dá a chance dourada de desprezar a pergunta mais incômoda e difícil para escapulir pela resposta mais favorável. Para o telespectador, figura passiva e indefesa diante do que vê e ouve, a barafunda de perguntas em cascatas embaraçam conceitos e embaralham frases.

Vale a pena

A quem ainda não aprendeu que, no jornalismo, o entrevistado é sempre mais importante do que o repórter, a lição de humildade e competência de Geneton Moraes Neto é sempre um alento para quem está disposto a crescer no jornalismo.

Sem arrogância, Geneton enfrentou o general Leônidas com perguntas precisas que iluminaram a história e conseguiram arrancar o melhor (e o pior) do chefe da repressão política que se orgulha de seu trabalho na ditadura. Preocupado com a edição do programa na TV, Leônidas se apressou em ensinar jornalismo a Geneton: "Que minhas idéias não sejam suprimidas na edição. Se houver um corte, você me deixa mal", avisou o general, esquecido de que o regime que ele defendeu se esmerava em cortes sistemáticos pela censura burra que suprimia idéia e fatos que sempre deixam mal as ditaduras. Geneton não cortou, e ainda assim o general Leônidas ficou muito mal pelas idéias que exprimiu, livremente.

Sempre educado, mas incorrigivelmente firme, Geneton questionou a exótica versão do general de que líderes do regime deposto – como Arraes, Brizola, Jango, Prestes – saíram do Brasil, a partir de 1964, "porque quiseram".
Leônidas mirou no ex-governador Miguel Arraes:

– Ele podia ficar em casa.

– Deposto – emendou Geneton.

– E qual é o problema? – admirou-se o general.

– Todo – encerrou Geneton, com a sintética sabedoria que o general, aos 88 anos, ainda não apreendeu. – Não havia condições de exercer a política no Brasil, naquela época, general.

O ex-chefe do DOI-CODI desdenhou toda uma fase de arbítrio e violência, dizendo que o país não teve exilados pelo golpe de 1964, mas apenas ‘fugitivos’.

– Eles que ficassem aqui e enfrentassem a justiça – pregou Leônidas.

– General, num regime de exceção, a justiça não é confiável – replicou o repórter.

Geneton Moraes Neto, por coisas assim, é uma prova de que, com ele, o jornalismo vale a pena.

(Publicado originalmente na coluna do jornalista Cláudio Humberto)

Vejam a abertura da entrevista do general Leônidas Pires Gonçalves ao jornalista Geneton Moraes Neto

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6 de abr de 2010

A lady do povo

Estreia na próxima sexta-feira, nos cinemas, o documentário (75 min) Rita Cadillac, a lady do povo, um mito no imaginário popular, por conta do seu farto bumbum. Rita de Cássia Coutinho, uma ex-prostituta que se tornou dançarina, ficou conhecida como a melhor corista do Programa do Chacrinha, o mais famoso show de calouros da TV, nas décadas de 70 e 80. Virou Rita Cadillac. O filme, dirigido por Toni Venturi, apresenta os momentos mais importantes da vida e da carreira de Rita Cadillac, por meio de depoimentos e de imagens inéditas.

Foto de Ulisses Guimarães, poucos dias da sua morte

O ditador Geisel fotografado pela primeira vez na praia

Fotografia é história no

olhar de Orlando Brito

Todos os dias quando vejo a coluna on line do jornalista Cláudio Humberto dou uma olhadela na participação do fotógrafo Orlando Brito, no espaço que ele assina sob o título Fotografia é História. Lá, ele rememora flagrantes importante da vida brasileira, principalmente momentos importantes para a história do país. Orlando Brito é dono de um formidável registro fotográficoda história política brasileira. Iniciou sua carreira como repórter fotográfico na Última Hora, de Samuel Weiner, trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Veja, dirigiu a sucursal da revista Caras. Ninguém viu de tão perto as cinco décadas da Capital do Brasil quanto ele: testemunhou um golpe de Estado, acompanhou a vida de 11 presidentes da República, a queda de um deles... e até continua fotografando os personagens do poder central do país.

Em depoimento à recente edição da revista Poder, Orlando Brito traça o perfil de algumas das autoridades importantes da vida pública brasileira:

Por exemplo, o general Ernesto Geisel:

“Era um sujeito muito duro, firme nas posições, mas incapaz de uma grosseria no trato pessoal. Eu estava em Natal, no Rio Grande do Norte, acompanhando o presidente Geisel num viagem oficial. Hospedei-me no hotel em que a imprensa estava, o mesmo da comitiva presidencial. Trabalhava n’ O Globo. Consegui lugar para dormir no chão,próximo à janela, num quarto com mais três colegas. De manhã cedo, por volta das cinco horas, acordei com o sol no meu rosto, olhei para a praia e tive um susto: lá estava o presidente Geisel de calção de banho, fazendo exercícios e dando mergulhos. Imediatamente peguei a câmera, a melhor lente e comecei a fotografar. A autocensura era tão feroz que nenhum deles se dispôs a fazer o mesmo. Por precaução fotografei dois rolos de filme acompanhando cada passo do presidente na areia. Um eu escondi e o outro ficou na câmera, pronto para ser tomado pelos militares. Ao descer para o café da manhã um general perguntou o que eu estava fotografando na praia. Fui dedurado. Pensei, “agora a coisa vai ficar mal para o meu lado”. Humberto Esmeraldo Barreto, secretário de comunicação do presidente Geisel, interveio: “Não há problema algum. O presidente foi à praia, um lugar público e pode ser fotografado sem a farda como estava. Os tempos são outros”. Quando ele disse “os tempos são outros”, entendi que a partir dali a ditadura iria viver o princípio do fim”.

Foto e premonição

Em 1992, o deputado Ulysses Guimarães morria a bordo do helicóptero que o transportava de uma praia de Angra dos Reis, no Rio, para São Paulo. Com ele estavam dona Mora, sua mulher, e o casal de amigos Marieta e Severo Gomes, além do comandante da aeronave Jorge Comeratto, também falecidos. O país perdia um dos mais importantes políticos de sua história.

Vejam o depoimento de Orlando Brito sobre a foto que ele fez poucos dias antes da morte de Ulisses Guimarães:

Amigos dizem que eu deveria poupar palavras sobre as fotos que apresento aqui. Trazem de volta a já gasta e velha máxima de que “uma imagem vale tanto quanto mil palavras”. Discordo inteiramente. Primeiro, acho que depende da imagem e também depende das palavras. Segundo, não escrevo intrinsecamente sobre a foto em questão. Abordo algo que está fora dela, as condições em que foi feita e não simplesmente uma descrição da imagem. Acho interessante dizer dos lances inerentes ao seu conteúdo. Esta, por exemplo, tem uma história que reputo muito curiosa. Sempre fiquei preocupado com o caráter premonitório de algumas fotos que fiz. Mas esta de Ulysses tirou-me o sono por várias noites. O dia 6 de outubro de 1992 foi daquelas terças feiras de pouco movimento no Congresso. No fim da tarde, quando eu voltava para a redação de Veja e descia a escada do Salão Verde da Câmara para o térreo, reparei que a luz do outono brasiliense estava como sempre majestosa. O sol, na altura do horizonte, invadia o andar térreo com uma réstia de raios cristalinos, amarelos. Minha saída coincidia com a chegada do doutor Ulysses. Ele parou em frente ao elevador privativo aos parlamentares para responder a uma pergunta do jornalista Ivanir Bortot, à época da Gazeta Mercantil. Do lugar onde eu estava, no contra-luz, via a silhueta de Ulysses e Bortot, ambos contornados pelos raios de luz. Quatro fotogramas. Confesso que o resultado da imagem me impressionou. Era forte, não tinha a ver com a serenidade daquele momento. Seis dias depois, a trágica notícia do desaparecimento de Ulysses. Constatada sua morte, evidentemente, virou capa da revista. Falei com Mário Sérgio Conti, editor-chefe àquela época, lembrando que resgatasse em São Paulo o tal cromo. Aquela imagem que tanto me chamou a atenção foi para a capa da revista. Depois virou monumento em uma praça de Campinas. Por força do convívio de anos na cobertura da política, assim como outros colegas acabei me aproximando bastante do doutor Ulysses Guimarães. Fiquei bastante entristecido. Recebi inúmeras cartas de leitores da revista. Uma delas trazia uma pergunta que até hoje não consegui resposta: como se sente um jornalista diante da dor dos outros. Incrível! Essas palavras são as que inspiram o título que a ensaísta americana Susan Sontag dá a seu livro sobre o conflito entra a frieza e a emoção que um fotógrafo encontra no front da notícia”.

5 de abr de 2010

Stefhany, a jovem cantora piauiense que ficou famosa com o clipe da música Eu sou Stefhany (No meu Cross Fox), está de volta ao YouTube. Sua nova canção faz menção às críticas que fizeram dela. O nome é Falem de mim, o que soa como autorreferência. A nova incursão ao mundo digital já rendeu 400 mil exibições. Segundo a poderosa de Picos, "é uma vingança contra as bruxas modernas, que não fazem feitiço, mas correm para a internet para falar mal de mim". O vídeo custou R$ 3.000 e tem animação, figurinos desenhados pela mãe, Nety. E ainda tem um banho de mel (uma banheira foi cheia com 400 litros). O mel, voltou para os galões e agora serão leiloados.






4 de abr de 2010


Fotos inéditas e sensuais de
Marilyn Monroe

Irão a leilão, em junho próximo um conjunto de fotos, nunca publicadas, de Marilyn Monroe, feitas nos intervalos do filme Quanto mais quente melhor, em 1958. As fotos feitas no exato dia em que ela filmou a cena em que tem de seduzir um Tony Curtis falsamente indiferente. Envolta num vestido transparente, ela desliza sobre o colo dele para um longo e insuportavelmente beijo inocente...