20 de set. de 2009


O Futuro da TV
Por Hildeberto Aleluia
É instigante, além de interessante, a luta desesperada da TV, tanto no Brasil, quanto no mundo, na tentativa de sobreviver de forma hegemônica como meio de comunicação. Ameaçada pela Web, provavelmente estará morta em dez anos, segundo o magnata Bill Gates, dono da Microsoft.Contundente assim só mesmo o Gates para ousar nessa afirmação. Mas pode-se ousar dizer que ela está se desmantelando tanto na forma quanto no conteúdo.Em junho passado a TV levou dois golpes, mortais, de tirar o sono dos seus executivos e controladores: a eleição no Irã e a morte do Michael Jackson, deixando claro que na área do jornalismo a televisão jamais será a mesma. Ela foi superada, ultrapassada e defasada com aqueles dois acontecimentos. Ficou completamente a reboque dos fatos em função das notícias transmitidas muito antes por outros meios de comunicação.Nas eleições do Irã, os blogs, twiters e o celular com sua micro-câmera mostraram ao mundo os estertores de uma ditadura ferrenha e cruel. A TV foi uma mera repetidora dos fatos. Aqui no Brasil não se prestou sequer a um serviço de informação na área de análise e tendências. Sem contar que o antiamericanismo permeia as redações e compromete mais ainda o seu desempenho. Mesmo na repetição dos fatos, a TV aberta, no Brasil, ficou devendo um retrato fiel da atual nação iraniana e seu regime feroz. Seja como for, a cobertura dos fatos no Irã durante as últimas eleições, enterra, definitivamente, o atual modelo operacional das mídias convencionais.E a cobertura da morte do cantor Michael Jackson também. A web, através de sites e blogs, deu show de informação. Foi tão significante o desempenho que o Google imaginou estar sendo alvo de rackers quando os acessos atingiram a 300 mil por hora. É audiência maior que a de todas as emissoras de TV juntas. Isso só nos Estados Unidos. Preocupadas com o futuro, as companhias Time Warner e Comcast se uniram e testam uma forma de permitir que as pessoas assistam a mais programas de TV na internet e continuem clientes de suas redes de cabo. Assim permitem ao cliente assistir ao programa que quiser e na hora que desejar, no computador ou no celular. É o receio da devastação causada pela Internet no setor de música e de mídia impressa.De uma coisa já temos certeza. O modelo “broadcasting” de TV, aqui no Brasil conhecido como rede, com suas cabeças no Rio e em São Paulo, caminha célere para o fim. Em vários estados do Brasil programas regionais alavancam mais audiência que os programas em rede em vários canais, inclusive na campeã, TV Globo. O modelo tradicional sobrevive ainda pujante, aqui entre nós, impulsionado pelo hábito da clientela, pelo formato publicitário, pela ausência de banda larga na rede net nas camadas populares e pela falta de sites e blogs plugados 24 horas nos fatos jornalísticos.É apenas uma questão de tempo visto que extratos de todas as classes sociais estão na rede. O Brasil vende 29 mil computadores por hora. O velho modelo da TV, sem interação, de um só falar para todos na hora em que ela decide, e sobre o que ela deseja, está no fim. Diferentemente, na internet quem decide é o internauta.
Hildeberto Aleluia - é jornalista
Fonte: Coluna do Cláudio Humberto

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