13 de mar. de 2010

Bombou na web

nesta semana


Carlos Ray Norris Jr., filho de uma irlandesa e de um índio cherokee, era uma criança fora de forma que apanhava na escola. Depois de adulto, campeão de karatê sete vezes consecutivas, virou Chuck Norris, astro do cinema de ação nas décadas de 70 e 80 e protagonista da série televisiva Walker, Texas Ranger de 1993 até 2001. Quase esquecido, Norris se tornou, involuntariamente, uma personalidade humorística da internet, retratado como uma espécie de deus superpoderoso nas piadas Chuck Norris Facts ou Verdades Sobre o Chuck Norris, que inspirou até uma propaganda de carros no Brasil.

As piadas são frases como “Quando Chuck Norris faz flexões, ele não levanta o próprio peso. Ele empurra o planeta” ou “Chuck Norris não dorme. Ele espera” ou “Chuck Norris contou até o infinito. Duas vezes”. Quem só conhece o ator por conta dessas hipérboles, esquece que, no papel que impulsionou sua fama em 1972, Norris apanhou para outro mestre, Bruce Lee, em uma das cenas de luta mais clássicas da história do cinema de artes marciais. Norris era Colt, vilão em O Voo do Dragão, uma comédia de ação dirigida pelo próprio Bruce Lee que se passa entre Hong Kong e Roma. O cenário da luta entre Lee e Norris é o Coliseu.

Nesta quarta-feira (10), Chuck Norris completou 70 anos. Comemore assistindo a luta de O Voo do Dragão:








Outro anônimo de sucesso na internet na semana passada foi uma pequena caloura de 8 anos. Ela se apresentou no programa Qual é o seu talento, do SBT, imitando a estrela pop Lady Gaga. A performance foi parar na web, e os internautas que assistiram ao vídeo 400 mil vezes dividiram-se entre os que acharam fofo e os que ficaram indignados de ver uma criança fazendo poses sensuais de maiô.



A música “We are the world”, relançada recentemente para arrecadar fundos para reconstruir o Haiti, ganhou uma versão em espanhol com estrelas da música latina, como Ricky Martin, Shakira e Jon Secada. Foram 100 mil acessos em apenas um dia.






Fonte: Revista Época

Suspeito de matar Glauco

dizia ser 'Jesus Cristo'

Segundo parentes do cartunista, estudante pedia que Glauco o acompanhasse e falasse com sua mãe

De Marcelo Godoy, de O Estado de S. Paulo:

O universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, queria sequestrar o cartunista Glauco, segundo parentes da vítima contaram ao chegar à Delegacia Seccional de Osasco. Glauco e seu filho, Raoni, foram assassinados na madrugada desta sexta-feira, 12. Frequentador da Igreja Céu de Maria, fundada pelo cartunista, Sundfeld queria que Glauco o acompanhasse até a casa de sua mãe, no Pacaembu, zona oeste, para dizer a ela que o rapaz era "Jesus Cristo."

Segundo o relato desses parentes, Sundfeld estava transtornado, armado com uma pistola 7,65 mm, e primeiro rendeu a filha do cartunista, Juliana. Ela chamou pela mãe e Glauco também foi ao local. Sundfeld chegou a agredir as duas mulheres e deu uma coronhada no cartunista, a quem costumava pedir conselhos. O rapaz ameaçou se matar e Glauco lhe disse para "não fazer isso."

12 de mar. de 2010

Relembrando o Geraldão

Cartunista Glauco e seu

filho foram mortos por ladrões

O personagem mais marcante da carreira de Glauco Villas Boas, 53 anos, foi Geraldão - descrito no site do cartunista como "um consumidor inveterado de uns 30 anos, solteiro que mora com a mãe - com quem tem uma relação neurótica- e continua virgem até hoje". Glauco e seu filho Raoni Villas Boas, 25 anos, foram mortos na madrugada desta sexta-feira em Osasco (SP) durante um assalto na sua residência.

Lançado em 1981 no livro independente Minorias do Glauco, Geraldão foi publicado na Folha de S.Paulo. Entre as características do personagem, ele bebe, fuma, ataca a geladeira, toma todos os que vê pela frente. Segundo o site oficial do cartunista, "ele usava uma calça sem elástico", mas agora "passa o dia todo peladão".

Entre os personagens coadjuvantes da tira, o site de Glauco destaca: a mãe - aposentada que "não agüenta mais o filho, só que não o deixa arrumar uma namorada" e "de vez em quando", espia o filho no banho; Enceradeira com buzinão - funciona ora a manivela, ora a carvão, mas tem memória de elefante; Sônia Braga - que não é atriz, e sim uma boneca inflável e a primeira paixão do personagem principal; Sharon Stone 1.8 - a segunda boneca inflável de Geraldão, que desbancou e aposentou a primeira.

Casal Neuras
Outra tirinha de sucesso de Glauco é o Casal Neuras. Criado em 1984, o casal é baseado no primeiro casamento do cartunista. Os personagens são "uma mulher que não é mais submissa e por um homem com pose de liberal, mas que morre de ciúmes dela". O site oficial afirma que o casal foi a forma do autor exorcizar o fantasma do machismo.

Fonte: Terra

11 de mar. de 2010

MINHAS MEMÓRIAS -
Matéria publicada na revista
Singular, em março/2001


C aldeirão hoje é considerado patrimônio histórico


Beato José Lourenço comandou uma sociedade alternativa


Pe. Cícero morreu sem ser perdoado pela igreja católica



A cota da igreja no massacre do Caldeirão
Entre os principais personagens da história do Ceará, o Pe. Cícero Romão Batista é, com certeza, aquele que desperta maior curiosidade de pesquisadores e outros estudiosos interessados em escarafunchar a memória regional.
Sua vida e obra foram emblemáticas.
A partir do acontecimento de 1889 (quando a beata Maria de Araújo ao receber a hóstia consagrada das mãos do então vigário Pe. Cícero, sangue começou a jorrar da boca da religiosa) as controvérsias se multiplicaram.
Milagre ou embuste?
Por conta da propagação do fenômeno, Juazeiro do Norte tornou-se um dos maiores centros de peregrinações de devotos. Todavia, a cúpula da igreja católica nunca o absolveu dos inquéritos eclesiásticos envolvendo o sacerdote. O padre morreu proibido de ministrar os ofícios peculiares ao seu mister: casar, batizar, rezar missa etc.
Os principais representantes do Vaticano o ignoram há séculos (Dom Aloísio Lorscheider, então arcebispo de Fortaleza, no ano do sesquicentenário de nascimento do Pe. Cícero, em 1994 se recusou a falar sobre ele). Coisas da vida: no dia seguinte à minha tentativa de ouvi-lo, o cardeal foi sequestrado por fugitivos do Instituto Penal Paulo Sarasate. Pareceu castigo.
A igreja engessou o seu desprezo (obs: esta crônica foi escrita em 2001), muito embora venha se refestelando com os bens patrimoniais herdados do Pe. Cícero e com os vultosos dízimos, tirando proveito da sua generosa imagem messiânica, cultuada pelo povo.
Todavia, as legiões de romeiros sempre ignoraram os tais inquéritos eclesiásticos e o elevaram à condição de santo.
A fé dos humildes construiu o seu eterno altar.
Nada mais consagrador e definitivo.
Se o conjunto da obra e do destino do Patriarca de Juazeiro, no final das contas, vem resultando em detalhadas observações acadêmicas e uma absorção velada pelo baixo clero, a porção histórica de um outro líder messiânico da Meca do Cariri, o beato José Lourenço Gomes da Silva, ainda carece, e muito, de revisões e investigações que esclareçam minudências e entraves impostos pela igreja quanto às concepções religiosas e os feitos sócio-comunitários realizados pelo beato.
A grande maioria de estudiosos sempre debita a problemas político-religiosos a destruição pela polícia do Caldeirão (sítio, perto de Juazeiro do Norte, onde o beato formou uma espécie de sociedade alternativa, no período de 1928/1937).
É importante lembrar que política e religião sempre andaram de braços em Juazeiro do Norte, desde 1911 (quando o pequeno lugarejo, então distrito de Crato, foi transformado em município). Pressionado e enquadrado pela igreja, via os processos eclesiásticos, Pe. Cícero buscou, a partir daquele ano, pela política, um instrumento forte de reação para se engrandecer no contexto político-administrativo do Estado. Orientado pelo seu alter ego político, o baiano Floro Bartolomeu, Pe. Cícero lançou o seu famoso “Pacto dos coronéis”, visando pacificar as famílias dos poderosos. Na política ele foi tudo que quis: prefeito do recém criado município de Juazeiro do Norte, deputado federal e até vice-governador do Ceará.
É neste contexto que entra a figura do beato José Lourenço, ajudado pelo padre Cícero, na ambientação religiosa e comunitária.
José Lourenço, juntamente com seus seguidores ao chegar em Juazeiro do Norte passaram a ocupar o sítio Baixa d’antas. A comunidade comandada por ele, ao mesmo tempo que gerava trabalho e fartura para as famílias, crescia com o surgimento de outros romeiros, enviados por Pe. Cícero. Pois era enorme o número de romeiros que diariamente se instalava na sede do município.
Mesmo com a simpatia de Pe. Cícero, o beato contava com a antipatia de Floro Bartolmeu (que chegou a exercer mandato de deputado federal, homem temido, prestigiado pelos chefões da Velha República). Floro não admitia certos fanatismos praticados pelos broncos seguidores do beato. Floro chegou ao ponto de mandar matar o Boi Mansinho e obrigar os fanáticos a comerem a carne do bovino adorado.
A amizade e a ajuda do Pe. Cícero ao beato só foram reestabelecidas após a morte prematura de Floro Bartolomeu, em 1926.
Já destituídos do sítio do Baixa d’antas, o beato e seu povo aceitaram uma nova oferta do padre e partiram para o Caldeirão, terreno acidentado onde ele e sua turma passaram a trabalhar dia e noite. Dentro de pouco tempo conseguiram transformar o Caldeirão em um oásis de fartura, onde não circulava dinheiro e tudo era de todos. Na terrível seca de 1932, enquanto o governo estadual era incompetente para empreender programas assistenciais às vítimas e as missões de religiosos estrangeiros fugiam, temendo contágios de doenças, o Caldeirão acolhia os miseráveis.
Sem dúvida, pela qualidade de vida proporcionada aos seus habitantes, o Caldeirão era para o povo uma espécie de terra prometida. Talvez, até melhor do que aquela vivida pelos outros pobres romeiros, egressos de vários lugares, e residentes na matriz: Juazeiro do Norte.
José Lourenço poderia ser para aqueles milhares de despossuídos o sucessor natural do Pe. Cícero, e com a vantagem de administrar uma comunidade igualitária, sem violência e o principal: sem fome. Além do mais, o grande comandante da Meca do Cariri, já debilitado e velho, vivia praticamente para receber visitas de políticos oportunistas e dar a “benção” aos milhares de romeiros, seus afilhados e “amiguinhos”, como costumava chamá-los.
Pouco antes de morrer (em 1934, aos 90 anos), o Pe. Cícero, na sua derradeira tentativa de agradar a igreja e readquirir os direitos de praticar ofícios religiosos, destinou, em testamento, grande parte da sua fortuna latifundiária, incluindo o Caldeirão, à congregação dos Irmãos Salesianos. Quem saiu perdendo? Claro que foi beato José Lourenço e seus seguidores. Porém, não surtiu efeito sonhado pelo padre: ser perdoado. Mais uma vez, a igreja fez ouvido de mercador, literalmente. Até hoje, ainda rola no Vaticano os processos contra ele.
Para o beato e o seu povo, o martírio só começava com a morte do ex-protetor. Três anos depois do falecimento do Pe. Cícero, atendendo ao pedido do bispo do Crato, D. Francisco de Assis Pires e dos padres Salesianos, a polícia foi chamada para intervir. Os policiais, armados, executaram a desapropriação do Caldeirão, perseguindo e matando centenas de homens desarmados. José Lourenço, homem de índole pacífica, abandonou o lugar. Alguns dos seus seguidores tentaram reação.
Mesmo assim, o sonho da sociedade alternativa e produtiva continuava: José Lourenço voltou quatro anos depois e tentou comprar dos Salesianos as terras do Caldeirão. A proposta foi recusada.
Amargurado, ele retornou para Pernambuco, onde morreu, em 1946, vítima de peste bubônica. Seus restos mortais estão sepultados no cemitério de Juazeiro do Norte e ainda hoje em dia, seu túmulo é zelado por admiradores.


Militar arrependido:
“Religiosos foram inflexíveis”

O general Goés de Campos Barros, comandante (ainda como tenente do Exército) das tropas destruidoras do Caldeirão, chefe, à época, da Delegacia de Ordem Política e Social, 62 anos, depois da tragédia, em entrevista a este repórter foi enfático: “ Provavelmente se os padres Salesianos tivessem constatado que aquilo se transformaria numa tragédia, teriam tomado todas as providências e com certeza não pediriam forças militares para resolver o problema. Eles foram inflexíveis com o beato José Lourenço e seus seguidores”.
Raciocinava ainda o militar, na referida entrevista publicada no jornal Diário do Nordeste (23/08/1998) que “caso o padre Cícero ao emprestar, em 1926, o sítio ao beato, oito anos de sua morte, e tivesse incluído no testamento Zé Lourenço como beneficiário, o desdobramento da questão, com certeza, seria diferente”. Ou então, disse o militar: “Uma outra solução para o embargo deveria ter partido dos Salesianos, aceitando algum tipo de parceria com Zé Lourenço (pagamento de tributos, arrendamento do terreno ou mesmo a venda). Nada disso aconteceu. O beato era um homem trabalhador e de boas intenções”, reconheceu, finalmente o general.
Claro que arrependimento tardio, jamais apagará da história a violência soldadesca contra centenas de famílias pacatas, destruindo mais de 400 casas, moagens e roças.
Na operação militar foram usados fuzis, metralhadoras e até bombas, atiradas de aviões.
Tudo sob a orientação do Estado Novo (1937/1945) que acabara de ser instalado no Brasil. A ordem era acabar com qualquer liderança civil no País. E a saga do Caldeirão era algo como uma revolução socialista, partida do povo e incomodava os mandarins da política e da religião
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