18 de jul. de 2009

Não é só as emissoras AM e FM daqui da terrinha que promovem concurso de perguntinhas fáceis para seus ouvintes. O jogo da adivinhação também faz sucesso entre os portugueses. O ouvinte que acertasse o peso exato de um objeto (entre 4,500 e 4,650 Kg) no estúdio, ganharia um prêmio. Até que Anabela ligou...


Fora do namorado

é transformado

em exposição

Quando entro em sala de bate papo ou converso, via MSN, algumas vezes o diálogo é encerrado, vindo da outra pessoa, especialmente mulheres, com a expressão “cuide-se”. E, eu ficava encucado, pensando que o “cuide-se” era com a saúde, com meus afazeres, com a violência... Pensava em tudo no mesmo segundo.
Pois não é, que a artista plástica francesa Sophie Calle levou um fora do namorado, via e-mail, e a correspondência eletrônica terminava com o tal do “cuide-se”. O safado do namorado ainda teve a petulância de dizer que acabara a relação, confessando que saltara barco por não conseguir atender ao pedido da artista para que ele se mantivesse fiel. O escritor Grégoire Boullier (é o nome do bonitão) gostava de mais três mulheres e não pretendia deixar de visitá-las.
Ela enviou cartas para 104 mulheres e transformou as respostas numa instalação, reproduzidas em textos, fotos e vídeos. Um sucesso. Até a mãe de Sophie mandou uma mensagem: “Não faça muito drama, minha filha. Linda, famosa e inteligente como você é, em breve fisgará um cara melhor”.
A primeira exposição do material aconteceu na Biblioteca de Paris, no ano passado. E vem sendo mostrada pelo mundo, inclusive no Brasil( São Paulo e Bahia).
Vejam a instalação, em Paris

Feola, a voz
da serenidade


Q
uando vejo, pela televisão ou ao vivo, técnicos de futebol indo ao desespero, à borda do campo na iminência de um ataque cardíaco, lembro-me daquela figura serena de Vicente Feola, que comandou a seleção brasileira, no primeiro título de campeão mundial, em 1958, na Suécia. Sentado e calado no banco de reservas, Feola parecia alheio ao que ocorria dentro de campo. Nem tanto. Muitos jornalistas diziam que até dormir, ele dormia, durante os jogos. E eu engolia essa versão. Tudo mentira.

Lendo a crônica de Dagomir Marquezi, publicada na revista Placar, fiquei sabendo da importância de Vicente Feola para a conquista da Copa do Mundo, desde a tragédia de 1950, quando perdemos por 2X1, no jogo final para o Uruguai, em pleno Maracanã.
Feola não dormia no banco de reservas. O problema é que ele, além da obesidade, tinha doenças cardíacas e o obrigava que ele tomasse remédios e que provocavam sonolência. Às vezes, fechava os olhos até que passasse a forte dor dos ataques de angina.
Outra versão que eu tinha como verdade, refere-se a escalação de Pelé, no time, numa imposição dos líderes da equipe (Nilton Santos, Didi). Não é verdade.




Segundo Dagomir Marquezi, Feola pensou num time-básico para sua seleção – e nela estava incluído o garoto de 17 anos, chamado Edson Arantes do Nascimento.
Vejam o relato de Dagomir: “Num jogo-treino, contra o time de Corinthians, Pelé levou uma entrada feia do zagueiro Ari Clemente. Para o dirigente máximo da seleção, Pelé teria que ser substituído. Feola insistiu para que Pelé fosse convocado, mesmo sem condições de jogo. Até que Pelé ganhou a vaga e se recuperou durante a Copa, sendo um dos artilheiros do time”.

Quando Feola faleceu, em 1975, o capitão Belini, o primeiro brasileiro a levantar a taça Jules Rimet, deu um depoimento mais exato sobre Feola para a conquista daquela Copa do Mundo: “Feola ganhou a Copa de 1958, porque conseguia tudo dos jogadores, dando-lhes liberdade para discutir, criticar, sugerir”.

Feola, um belo exemplo, porém pouco assimilado pelos técnicos que o sucederam no comando da seleção brasileira.


E a Juliana Paes,
quem diria,
processou o
Macaco Simão

O humorista José Simão, o endiabrado Macaco Simão, está proibido de se referir a atriz Juliana Paes, da Rede Globo, por decisão do juiz João Paulo Capanema de Souza, do 24ºJuizado Especial do Rio de Janeiro, misturando-a com a personagem “indiana” Maya, sob pena de desembolsar 10 mil reais.
A atriz processou o Macaco porque ele, em sua coluna no jornal Folha de São Paulo fez referências, conforme a sentença do juiz, sobre a casta e castidade da atriz Juliana e sobre seu “casamento com uma bananeira, incluída principalmente a referência sobre ela descascar a banana do convidado e, transando com uma bananeira, ser a definição do termo banalidade".
Ora, ora, processar todo mundo pode processar quem quiser. É o direito dela. Agora, o juiz aplicar medida cautelar, isto é censura.
E logo ela se sentir “ofendida” com a brincadeira do Macaco, pois não estava nem aí para a “moral e os bons costumes” quando compareceu, sem calcinha, na Feira da Beleza no Expo Center, em São Paulo, e flagrada, em 2006, pelo fotógrafo Marcelo Pereira do Portal Terra. Também já fez ensaios eróticos e comercial da Brahma, incitando a moçada, se mostrando que é boa, gostosa..

Essa ação penal dela e a censura judicial têm outro significado: hipocrisia.
Dona Juliana vá caçar outro macaco. Deixa o esculhambador geral do país em paz!


Telegrama envolve
Lampião, Padre Cícero e Prestes


Tenho entre os meus guardados cópia de um importante documento para a compreensão mais clara da controvertida relação entre Pe. Cícero Romão Batista e Lampião: a reprodução do telegrama transmitido do município de Campos Sales por Floro Bartolomeu, correligionário do Patriarca de Juazeiro do Norte, ao seu advogado, José Ferreira, dando conta da dispensa do bandido e seu bando para à perseguição a Coluna Prestes. Naquele ano de 1926 estava sendo formado, no Cariri, o Batalhão Patriótico, exército paramilitar, formado com ajuda financeira e de armamento patrocinados pelo governo federal – gestão do presidente Artur Bernardes – para combater Luis Carlos Prestes e seu grupo.




Registrava o telegrama: "Comunique nosso amigo, que não preciso mais Lampião, povo já seguiu perseguição revoltosos". O documento, até então inédito, faz parte do acervo das pesquisadoras juazeirenses Fátima Menezes e Generosa Alencar, e que divulguei em matéria publicada no jornal Diário do Nordeste, edição de 17/12/1992. O comunicado do então deputado federal Floro Bartolomeu, responsável pela formação dos Batalhões Patrióticos em todo o país, é considerado pelos historiadores como primeiro documento oficial ligando os três personagens (Pe. Cícero, Lampião e Prestes) da Velha República.




À época, um grupo de homens liderados pelo Cavaleiro da Esperança estava percorrendo o país (25 mil quilômetros entre os anos 1924/26) denunciando os desmandos administrativos do governo do presidente Artur Bernardes. Como forma de reprimir os revoltosos, além de contar com o sistema armado oficial, a administração federal arregimentava os políticos alinhados ao governo, espalhados pelo território brasileiro. Possuidor de poderosa influência religiosa/política/administrativa no Ceará, e pertencente ao partido Conservador, o Patriarca do Cariri era personagem vital para a estratégia bélica do governo. O baiano Floro Bartolomeu, radicado em Juazeiro do Norte desde 1908, braço-armado e mentor político do padre, e também deputado federal de trânsito livre nos gabinetes presidenciais, era o estrategista dos chamados Batalhões Patrióticos. No Cariri, sob seu comando, dois mil homens receberam munições, fardamentos e treinamentos militares.




Na verdade, nunca aconteceu o confronto entre o Rei do Cangaço e o Cavaleiro da Esperança, via Batalhão Patriótico. Sequer os dois cruzaram caminhos no sertão nordestino. Todavia, existem relatos comuns aos dois, anotados por pesquisadores, como a citação de um dos membros da Coluna, não-identificado, registrada no livro A Coluna Prestes, de Nelson Werneck Sodré: “Serviu-me de vaqueanos na Paraíba um primo de Lampião, que se ofereceu a Prestes para ir convidar esse bandoleiro a se reunir à Coluna, no que foi recusado”.. O próprio Prestes revelava mais tarde, em 1935, no texto A luta dos camponeses do Brasil, o seu posicionamento concernente à saga dos bandidos: “ As massas nutrem a maior simpatia pelos cangaceiros, com esse repartindo entre elas uma parte dos víveres e mercadorias tomadas”.




Mesmo sendo preteridos para operação de combate à Coluna Prestes, Lampião e seu bando foram para Juazeiro do Norte, adentrando a zona urbana do município na madrugada do dia seis de março de 1926. Sem a presença do comandante Floro Bartolomeu (ele viajara, rumo ao Rio de Janeiro, enfermo, morrendo dias depois no Distrito Federal), a desorganização era total. A população queria ver de perto o cangaceiro mais temido e procurado pelas polícias de todos os estados nordestinos. O bando fazia orgias. E o padre Cícero Romão Batista preocupado com a vexatória situação, principalmente porque Lampião queria receber das mãos do vigário a patente de capitão do Exército Brasileiro, como haviam prometido. A única atenção dedicada por Meu Padim Ciço foi uma audiência em que todos os cangaceiros receberam bênçãos e rosários, mas com a recomendação de só usar os adereços religiosos, no dia em que deixassem aquela vida criminosa.




A questão da patente foi resolvida. A mando do Pe. Cícero, o funcionário do Ministério da Agricultura, o médico Pedro Albuquerque Uchôa, presidiu a solenidade e assinou um documento tornando capitão do Exército, Virgolino Ferreira. Contavam os mais antigos de Juazeiro do Norte que Uchôa ficara tão constrangido em assinar a nomeação que teria comentado depois: “ Naquela situação, diante de mais de cinquenta homens armados, eu assinava até a demissão do presidente da República”.




Reabastecido de munição e orgulhoso, pensando que passara a integrar o quadro de oficiais das Forças Armadas, o capitão Virgolino Ferreira, juntamente com o seu bando, deixaram Juazeiro do Norte, na madrugada do dia nove de março, com destino a Pernambuco. Logo na divisa, o sonho de ser reconhecido pelas autoridades era desfeito ao ser recebido a bala pelos macacos (policiais) do vizinho Estado. A trajetória da violência continuou. Lampião foi morto por um volante, doze anos depois, em Angico, município alagoano.