14 de jul. de 2010


A história dos

Novos Baianos

Estreia breve nos cinemas, o filme Filhos de João – Admirável Mundo Novo Baiano, de Henrique Dantas. São noventa minutos que contam dez anos de história da banda Novos Baianos - que mais do que um grupo musical, foi um coletivo onde pelo menos dez artistas simultâneos compartilhavam tudo, desde o espaço físico até o dinheiro que ganhavam.

O filme traça um rico panorama da Música Popular Brasileira dos anos 60 e 70, através do revolucionário e inovador grupo musical Novos Baianos. Particularmente, trata da influência de João Gilberto sobre os rumos musicais do grupo e da importância do mesmo para o aprimoramento da música tocada e composta por eles. Traz uma retrospectiva do estilo de vida comunitário adotado durante algum tempo e a influência sobre os resultados no trabalho. Temas como contracultura, carnaval do Brasil, cinema, tropicalismo, ditadura militar, dentre outros, circulam em torno das vivências do grupo, trazendo necessárias e importantes reflexões para a compreensão da cultura contemporânea no Brasil. O filme traz raros e inéditos materiais de arquivos, MPB da melhor qualidade e participações especiais de Tom Zé, Rogério Duarte, Orlando Senna, entre outros.

13 de jul. de 2010


Reparem que belíssima interpretação de Paulo Moura na conhecidíssima Espinha de Bacalhau, de Severino Araújo

Saudade de Paulo Moura

Nas minhas andanças de repórter, já entrevistei muitos monstros sagrados das artes brasileiras, na Música, no Teatro, no Cinema, na Literatura... Com alguns, consegui “arrancar” algumas inconfidências, com outros apenas o trivial e dentro do figurino. Hoje, fiquei triste quando soube da morte do instrumentista Paulo Moura, que o conheci e convivi com ele, durante uma semana, aqui em Fortaleza, por ocasião do Projeto Pixinguinha, no início dos anos 80 do século passado.

O Projeto Pixinguinha trazia grandes nomes da Música Popular Brasileira para se apresentarem, a preços populares, no Teatro José de Alencar. A temporada das duplas durava uma semana. Eu era o coordenador do Projeto e ficava encarregado de tudo, desde recepcionar artistas no aeroporto, buscá-los no hotel, cuidar de bilheteria etc e tal. Pois bem, numa dessas temporadas veio o Paulo Moura e, como de praxe, repeti o ritual. Com ele foi diferente: muito acessível, atencioso, gostava de conversar, saber da cidade, conhecer pontos turísticos... Uma bela figura. E, a partir daí fiquei seu admirador, tanto da sua fabulosa arte como do incrível ser humano que conheci.

Li, hoje, que no sábado, dia 10 de julho, Paulo Moura ainda conseguiu reunir forças para tocar uma última música – "Doce de Côco", de Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho – com seu parceiro de longa data Wagner Tiso, ao lado de sua mulher Halina, o filho Domingos, o sobrinho Gabriel, amigos e admiradores, e alguns pacientes da Clínica São Vicente, maravilhados com aquela inusitada e comovente celebração musical, organizada pelos músicos Cliff Korman e Humberto Araújo.

Vamos ouvi-lo, tocando Doce de Côco:


E o JB se foi

Uma das capas de jornais mais corajosas da imprensa brasileira: uma dia após a decretação do famigerado AI-5, pela ditadura militar, no dia 13 de dezembro de 1968, impondo a censura no país, o Jornal do Brasil, lá no alto esquerdo da primeira página, dava uma pista para os seus leitores, via uma metáfora, sobre a gravidade da situação: "Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável.
O país está sendo varrido por fortes ventos.
Máx.: 38º em Brasília. Mín.: 5º, nas Laranjeiras".

Hoje, realmente, li notícias tristes e que de alguma forma ligadas à minha vida profissional. A notícia do desaparecimento do edição impressa do Jornal do Brasil(vejam a notícia abaixo). Velho JB que fez parte de toda a minha formação jornalística ao tempo da Faculdade de Comunicação da UFC, e depois quando eu já militava pelas redações, nos meus primeiros anos de batente. Ah, as manhãs de domingo eram sagradas, pelo ritual de ir à praça do Ferreira, na banca do Bodinho, comprar o JB. Fazia fila. Mais de 300 jornais eram vendidos. E quando o avião atrasava (pois o JB era impresso no Rio de Janeiro), os ávidos leitores retornavam à tarde para apanhar o vespertino carioca. Era o jeito, pois passar o domingo sem o JB não tinha nenhuma graça. Tempos bons, aqueles.
Deu em O Globo

JB: apenas versão na Internet

Tanure diz que ‘decisão de acabar com o papel está sendo tomada esta semana’

O "Jornal do Brasil", um dos mais antigos do país — que teve a sua primeira edição impressa em 1891 —, vai deixar de circular.

A data para o fim da versão em papel será decidida entre amanhã e quinta-feira, disse ontem o empresário Nelson Tanure, dono da marca.

Com dívidas estimadas em R$ 100 milhões e vendo a circulação despencar, Tanure tentou encontrar um comprador para o jornal. Sem sucesso na sua empreitada, decidiu manter o jornal só na internet.

— A decisão de acabar com o papel está sendo tomada esta semana. Teremos uma decisão na quarta-feira ou na quinta-feira. Provavelmente, seremos o primeiro jornal a estar apenas na internet. É algo que está acontecendo no mundo todo — disse Nelson Tanure.

Ontem, Tanure confirmou a saída de Pedro Grossi, que ocupava a presidência do "JB" há apenas quatro meses: — Eu demiti o Pedro Grossi porque ele era a favor de continuar no papel — disse.

Em carta a editores e diretores do "JB", e reproduzida no site "Janela Publicitária", Grossi diz que "Em almoço realizado hoje (ontem), na presença do Dr. Ronaldo Carvalho e da Dra. Angela Moreira, o Dr. Nelson Tanure informou que publicará na edição de amanhã (hoje) do Jornal do Brasil (JB) uma notificação assinada pela direção da empresa e dirigida aos leitores na qual explica a transposição do jornal escrito para o tecnológico.Considerando que isto contraria a razão pela qual fui contratado, solicito, sem perda de meus direitos, que o expediente do jornal e de todas as revistas não conste mais meu nome".

Procurado pelo GLOBO, Grossi, no entanto, diz que só deixará o cargo de diretor-presidente do "JB" assim que a empresa anunciar o fim da publicação impressa.

— Enquanto tiver jornal impresso, eu continuo presidente. Quando for comunicada a transposição do papel para a internet, eu estou fora. Não fui contratado para isso — afirmou Grossi.

Segundo a sua assessoria de imprensa, o "Jornal do Brasil" conta com 180 funcionários, sendo 60 jornalistas, que trabalham na redação. O "JB" tem hoje tiragem de 17 mil exemplares nos dias de semana e de 22 mil aos domingos.

Na redação do jornal, o clima é de tristeza e nervosismo. Ontem, dois funcionários passaram mal e voltaram para casa.

Até agora só foram depositados R$ 800 na conta dos empregados referentes ao mês trabalhado em junho. Ainda não houve comunicado formal sobre o destino do jornal.

O diário é editado na Casa Brasil e em seu prédio anexo, no Rio Comprido. Segundo funcionários, a Casa Brasil, onde ficavam os executivos da empresa, será devolvida.

A presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio, Suzana Blass, disse que pedirá audiência com Tanure para discutir o futuro dos empregados: — Queremos garantir uma empregabilidade mínima e o pagamentos da rescisão.

Diretor-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, lamentou o fim da versão impressa do "JB", mas fez questão de frisar que este é um caso isolado e que aposta no crescimento da circulação dos jornais no país este ano:

— É lamentável que o JB termine. Foi um processo de equívocos empresariais que resultaram em decadência editorial.

Em 2009, a circulação diária de jornais pagos no país foi de 8,193 milhões, recuo de 3,46% em relação a 2008, quando a circulação crescera 5%. Os números incluem a tiragem do "JB", apesar de o jornal ter deixado a associação em 2004.

A ANJ não fornece dados específicos sobre qualquer jornal.

Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC), no primeiro quadrimestre deste ano, o setor já registrou um crescimento de 1,5%. Desde setembro de 2008, o "JB" não era mais auditado pelo IVC.

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, também lamenta o processo de decadência do jornal.

— É uma notícia triste e mostra o momento nocivo por que passa o mercado jornalístico — diz ele.

Azêdo lembra que o "JB" era um paradigma para coberturas importantes e recorda edições memoráveis, como a de 13 de dezembro de 1968, data do Ato Institucional Número 5 (AI-5), que acabou com garantias constitucionais e deu ao presidente da República poder de fechar o Congresso.

Naquele dia, o "JB" publicou a previsão do tempo na primeira página, dizendo que as condições climáticas eram adversas.

Nelson Tanure arrendou o "JB" em 2001. Entre 2002 e 2003, o empresário teve os direitos de publicação da revista americana especializada em economia "Forbes" no Brasil. Em 2003, arrendou o diário econômico "Gazeta Mercantil".

Em grave crise e com dívida trabalhista superior a R$ 200 milhões, Tanure rescindiu o contrato de licenciamento do uso da marca e devolveu o jornal a seu antigo dono Luiz Fernando Levy.

Em junho de 2009, a "Gazeta" deixou de circular.

Freud explica?

Sei não, mas essa monstruosidade cometida pelo goleiro Bruno tem muitas mais coisas que mesmo Freud nem explica, além do excesso de virilidade e das orgias cometidas pelo ex do Flamengo: a amizade íntima entre ele e o “seu funcionário” conhecido como Macarrão. Policiais não duvidam que Macarrão "assuma tudo" para tentar livrar Bruno. Ambos foram criados juntos em Minas. Há dois anos, já consagrado no Flamengo, Bruno passou a bancar um apartamento para o amigo na Barra. Macarrão tem adoração por Bruno e chega a colecionar camisas usadas pelo goleiro.

E essa adoração de Marcarrão pelo jogador chegou ao extremo do amigo fiel mandar tatuar nas costas: Bruno e Maka – a amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir, amor verdadeiro”. Hum...

Cartunista Nani enfrenta
ataque de petistas por
metáfora sexual com Dilma

DEU NO TERRA (ELEIÇÕES 2010 )

Cláudia Leal

Deu encrenca com os demônios do humor. Ex-”Pasquim”, “Jornal do Brasil” e “Bundas” (epa!), o cartunista Nani comparou o controverso programa de governo da candidata Dilma Rousseff (PT) a um programa de esquina – bem entendido: com posições heterodoxas. “O programa quem faz são os fregueses: PMDB: barba, cabelo e bigode; PDT: papai e mamãe e por aí vai…”, anuncia o cartum.

Com 37 anos de jornalismo, Nani enfrenta ataques de petistas e internautas por ter usado uma metáfora sexual para caricaturar a sisuda Dilma. Presidente do PT, José Eduardo Dutra reclamou da “baixaria”. Em entrevista a Terra Magazine, Nani defende-se com o mesmo salvo-conduto do Barão de Itararé, de Millôr e de Jaguar:

- Eu usei uma metáfora. Pode ter sido ruim, mas eu simplesmente fiz humor.

Publicado na página pessoal do desenhista (http://www.nanihumor.com/), o cartum foi reproduzido pelo blog do jornalista Josias de Souza e provocou imensa polêmica no Twitter e na blogosfera. Para alguns críticos, houve machismo. Se a encrenca aumentar, e nascer algum processo judicial, Nani tem um pedido a mais:

- Só espero que o PT não crie o Ministério do Humor e entregue ao PMDB!

Confira o bate-papo.

Terra Magazine – Como você encara a reação à sua charge sobre Dilma?
Nani – Não discutiram o conteúdo, a mensagem da charge. O cartunista usa uma metáfora pra falar do assunto. Hoje, eu usei a panela do programa da Dilma. O cozido, o pirão dela. É a mesma metáfora: todo mundo tá querendo, os outros partidos querem interferir no programa. O humor usa metáforas…

No caso, você brincou com a palavra “programa”.
A metáfora que eu usei foi um pouco violenta. Mas já botei o Fernando Henrique com peitos, ACM com o vestido de Tiazinha, o Lula pelado, com uma lingerie. São artifícios que o humor tem a liberdade de usar.

Teme censura?
A única censura que eu tive foi na ditadura. Nosso limite era o “Maomé” (refere-se à reação muçulmana contra o chargista dinamarquês Kurt Westergaard, que retratou Maomé). Não sei se Dilma será a nova “Maomé” (risos)

O brasileiro se deseducou em relação ao humor?
Eu acho que sim. As charges são muito palatáveis, perderam um pouco a crítica, ficam ilustrando assuntos nos jornais…

Leia íntegra da entrevista e mais sobre o assunto em Terra Magazine: