27 de jan. de 2010


Deu na Coluna do Cláudio Humbetro


Filha de Lula defende "Filho do Brasil"

Em carta ao jornal New York Times, Lúrian Cordeiro da Silva, filha do presidente Lula, defendeu o filme Lula, o filho do Brasil. Um artigo publicado no dia 11 de janeiro pelo jornal americano critica o filme por não mencionar “a namorada que Lula abandonou grávida de seis meses”. Na carta Lúrian diz que sua mãe, Miriam Cordeiro, não foi “abandonada” e que Lula “pagou todas as despesas médicas, incluindo pré-natal e o parto”. No texto, Lúrian também argumentou que nenhum dos outros filhos de Lula aparece no filme e que o longa metragem “conta a trajetória de um imigrante pobre que se torna líder sindical, e não de um pai”. A filha de Lula encerra dizendo que adorou o filme de um líder mundial. E ainda conclui: “concordo com o presidente Obama: Lula é o cara!”
Denise Dumont e Woody Allen
Nas telas dos cinemas, neste mês, o filme O homem que Engarrafava Nuvens sobre o maior parceiro de Luiz Gonzaga: Humberto Teixeira, autor de Asa Branca, Assum Preto, Baião e Qui Nem Jiló, entre outras preciosidades do cancioneiro nacional. Já comentei aqui sobre o filme.
Mas, o que desejo agora é falar sobre a filha de Humberto Teixeira, a atriz Denise Dumont, produtora e narradora nesse mergulho na vida do poeta.
Atriz de teatro, televisão e de cinema.
Além de trabalhar com cineasta do porte de Walter Hugo Khouri, em Eros, o Deus do Amor e Hector Babenco, em O Beijo da Mulher Aranha, Denise também foi dirigida até por Woody Allen. No clássico A Era do Rádio, ela aparece cantando rapidamente Tico-Tico no Fubá, à La Carmen Miranda.
Vejam o vídeo abaixo:

26 de jan. de 2010


“Escrever é a arte de cortar palavras"


Armando Nogueira


(Para quem mexe com palavras, a leitura do texto do mestre Armando Nogueira é um singular exercício para aprimorar o ato de juntar letrinhas).
Escrever é cortar palavras. Passei alguns anos certo de que o autor dessa preciosa máxima era Carlos Drummond de Andrade. Até que um dia perguntei ao poeta. Ele conhecia, mas negou que fosse dele. Confesso que fiquei desapontado. A sentença tinha a cara do mestre Drummond, cuja prosa é um exemplo de concisão.Otto Lara Resende desconfiava que pudesse ser de um escritor mexicano a ideia da dica preciosa. Eu, por mim, seria capaz de atribuí-la a John Ruskin, notável escritor e crítico inglês do século passado. Se não o disse, com todas as letras, certamente foi Ruskin quem melhor ilustrou o adágio, num conto antológico. É o caso do feirante de peixes num porto britânico.O homem chega à feira e lá encontra seu compadre, arrumando os peixes num imenso tabuleiro de madeira. Cumprimentam-se. O feirante está contente com o sucesso do seu modesto comércio. Entrou no negócio há poucos meses e já pôde até comprar um quadro-negro pra badalar seu produto.Atrás do balcão, num quadro-negro, está a mensagem, escrita a giz, com letras caprichadas:HOJE VENDO PEIXE FRESCO. Pergunta, então, o amigo ao compadre:Você acrescentaria mais alguma coisa?O compadre releu o anúncio. Discreto, elogiou a caligrafia.Como o outro insistisse, resolveu questionar. Perguntou ao feirante: Você já notou que todo dia é sempre hoje? E acrescentou: Acho dispensável. Essa palavra está sobrando… O feirante aceitou a ponderação: apagou o advérbio. O anúncio ficou mais enxuto: “VENDO PREIXE FRESCO.” — Se o amigo me permite — tornou o visitante —, gostaria de saber se aqui nessa feira existe algum peixe dado de graça.Que eu saiba, estamos numa feira, e feira é sinônimo de venda. Acho desnecessário o verbo. Se a banca fosse minha, sinceramente, eu apagaria o verbo. O anúncio encurtou ainda mais: “PEIXE FRESCO” — Me diga uma coisa: por que apregoar que o peixe é fresco? O que traz o freguês a uma feira, no cais do porto, é a certeza de que todo peixe, aqui, é fresco. Não há no mundo uma feira livre que venda peixe congelado… E lá se foi também o adjetivo. Ficou o anúncio reduzido a uma singela palavra: “PEIXE”.Mas por pouco tempo. O compadre pondera que não deixa de ser menosprezo à inteligência da clientela anunciar, em letras garrafais, que o produto aqui exposto é peixe. Afinal, está na cara. Até mesmo um cego percebe, pelo cheiro, que o assunto, aqui, é pescado… O substantivo foi apagado. O anúncio sumiu. O quadro-negro também. O feirante vendeu tudo. Não sobrou nem a sardinha do gato. E ainda aprendeu uma preciosa lição: escrever é cortar palavras.


Simplesmente espetacular...

A salvadora das memórias
de Anne Frank
Faleceu na semana passada, aos 100 anos, a holandesa Miep Gies, que durante a ocupação nazista, na Holanda, na II Guerra Mundial (entre 1942 e 1944) ela, seu marido e alguns amigos ajudaram a ocultar oito judeus, em um anexo do erscritório, onde trabalhava, em Amsterdan. Sete dos oito protegidos, depois capturados pelos nazistas, após denúncia anônima, foram levados e mortos num campo de concentração.Entre os protegidos de Miep estava a adolescente Anne Frank. Seu diário, atualmente um dos livros mais traduzidos no mundo, foi publicado, depois da Guerra, em 1947, pelo pai de Anne, Otto (o único sobrevivente da família) tornou-se o mais conhecido testemunho direto do terror nazista.Em seu livro de memórias (Anne Frank Relembrada) , publicado em 1987, Miep afirmou que “não era heroína”. Ela mereceu sim, ser chamada de heroína e orgulhosa por ter contribuído para que o século XX conhecesse uma obra-prima.Vejam, no vídeo abaixo, uma imagem raríssima, feita em 1941, de Anne Frank, na janela do prédio (ela está sozinha), em Amsterdan.