25 de jan. de 2010


O reencontro com o ídolo
Pouquíssimas vezes eu apareci em fotos neste blog (aliás tem uma máxima do jornalismo que repórter escreve notícias, informa, mas não é necessário posar para os fotógrafos). Abro essa exceção, pois fiz questão de ser fotografado ao lado de um dos meus ídolos no futebol : Vila Nova (à esquerda na foto).O Vila, em questão, foi lateral esquerdo do, já extinto, Usina Ceará. Time que eu, na minha adolescência, acompanhava até nos treinos. O estádio do Usina ficava perto da minha casa, e durante a semana eu não perdia os seus treinamentos. E o futebol do Vila Nova foi a minha inspiração para a minha iniciação nos gramados. É bom lembrar que a minha carreira futebolística foi efêmera e não passou de jogar no Vila Iracema, time suburbano e uma rápida passagem pelo juvenil do Fortaleza Atlético Clube.

Então, reencontrar o Vila Nova, no último sábado, no Campo do Adauto (convidado que fui pelo meu amigo Chico Rocha), representou um daqueles prazeres que o destino guarda para encontros não marcados e que faz o coração balançar de saudade.

Obs: a foto foi feita pelo cronista esportivo Fortunato Pinho da revista Tá na Área, publicação de um outro amigo, o jornalista Pepo Melo.


A Coca-Cola está investindo pesado em suas propagandas, via internet. Seu mais recente viral foi o mais visto e propagado pela internet na semana passada. Uma máquina de refrigerantes foi colocada em uma universidade com várias câmeras ocultas voltadas para ela. Só que, em vez de uma máquina comum, essa fazia coisas como soltar garrafas sem parar e, além de bebida, dava pizzas, sanduíches e até um buquê de flores aos estudantes. A campanha, chamada Máquina da felicidade, teve 1 milhão de acessos e centenas de tweets e posts em blogs.
















MINHAS MEMÓRIAS

Telegrama envolve Lampião,
Padre Cícero e Prestes


Tenho entre os meus guardados cópia de um importante documento para a compreensão mais clara da controvertida relação entre Pe. Cícero Romão Batista e Lampião: a reprodução do telegrama transmitido do Município de Campos Sales por Floro Bartolomeu, correligionário do Patriarca do Cariri, ao seu advogado, José Ferreira, dando conta da dispensa do bandido e seu bando à perseguição a Coluna Prestes. Naquele ano de 1926 estava sendo formado, no Cariri, o Batalhão Patriótico, exército paramilitar, formado com ajuda financeira e de armamento patrocinados pelo governo federal – gestão do presidente Artur Bernardes – para combater Luis Carlos Prestes e seu grupo.
Registrava o telegrama: Comunique nosso amigo, que não preciso mais Lampião, povo já seguiu perseguição revoltosos. O documento, até então inédito, faz parte do acervo das pesquisadoras juazeirenses Fátima Menezes e Generosa Alencar, e que divulguei em matéria publicada no jornal Diário do Nordeste, edição de 17/12/1992. O comunicado do então deputado federal Floro Bartolomeu, responsável pela formação dos Batalhões Patrióticos em todo o país, é considerado pelos historiadores como primeiro documento oficial ligando os três personagens (Pe. Cícero, Lampião e Prestes) da Velha República.
À época, um grupo de homens liderados pelo Cavaleiro da Esperança estava percorrendo o país (25 mil quilômetros entre os anos 1924/26) denunciando os desmandos administrativos do governo do presidente Artur Bernardes. Como forma de reprimir os revoltosos, além de contar com o sistema armado oficial, a administração federal arregimentava políticos alinhados ao governo, espalhados pelo território brasileiro. Possuidor de poderosa influência religiosa/política/administrativa no Ceará, e pertencente ao partido Conservador, o Patriarca do Cariri era personagem vital para a estratégia bélica do governo. O baiano Floro Bartolomeu, radicado em Juazeiro do Norte desde 1908, braço-armado e mentor político do padre, e também deputado federal de trânsito livre nos gabinetes presidenciais, era o estrategista dos chamados Batalhões Patrióticos. No Cariri, sob seu comando, dois mil homens receberam munições, fardamentos e treinamentos militares.Na verdade, nunca aconteceu o confronto entre o Rei do Cangaço e o Cavaleiro da Esperança, via Batalhão Patriótico. Sequer os dois cruzaram caminhos no sertão nordestino. Todavia, existem relatos comuns aos dois, anotados por pesquisadores, como a citação de um dos membros da Coluna, não-identificado, registrada no livro A Coluna Prestes, de Nelson Werneck Sodré: “Serviu-me de vaqueanos na Paraíba um primo de Lampião, que se ofereceu a Prestes para ir convidar esse bandoleiro a se reunir à Coluna, no que foi recusado”. O próprio Prestes revelava mais tarde, em 1935, no texto A luta dos camponeses do Brasil, o seu posicionamento concernente à saga dos bandidos: “ As massas nutrem a maior simpatia pelos cangaceiros, com esse repartindo entre elas uma parte dos víveres e mercadorias tomadas”.Mesmo sendo preteridos para operação de combate à Coluna Prestes, Lampião e seu bando foram a Juazeiro do Norte, adentrando a zona urbana do município na madrugada do dia seis de março de 1926. Sem a presença do comandante Floro Bartolomeu (ele viajara, rumo ao Rio de Janeiro, enfermo, morrendo dias depois no Distrito Federal), a desorganização era total. A população queria ver de perto o cangaceiro mais temido e procurado pelas polícias de todos os estados nordestinos. O bando fazia orgias. E o padre Cícero Romão Batista preocupado com a vexatória situação, principalmente porque Lampião queria receber das mãos do vigário a patente de capitão do Exército Brasileiro, como prometido. A única atenção dedicada por Meu Padim Ciço foi uma audiência em que todos os cangaceiros receberam bênçãos e rosários, mas com a recomendação de só usar os adereços religiosos, no dia em que deixassem aquela vida criminosa.A questão da patente foi resolvida. A mando do Pe. Cícero, o funcionário do Ministério da Agricultura, o médico Pedro Albuquerque Uchôa, presidiu a solenidade e assinou um documento tornando capitão do Exército, Virgolino Ferreira. Contavam os mais antigos de Juazeiro do Norte que Uchôa ficara tão constrangido em assinar a nomeação que teria comentado depois:“Naquela situação, diante de mais de cinquenta homens armados, eu assinava até a demissão do presidente da República”.
Reabastecido de munição e orgulhoso, pensando que passara a integrar o quadro de oficiais das Forças Armadas, o capitão Virgolino Ferreira, juntamente com o seu bando, deixaram Juazeiro do Norte, na madrugada do dia nove de março, com destino a Pernambuco. Logo, na divisa o sonho de ser reconhecido pelas autoridades era desfeito ao ser recebido a bala pelos macacos (policiais) do vizinho Estado. A trajetória da violência continuou. Lampião foi morto por um volante, doze anos depois, em Angico, município alagoano.


Batalhão Patriótico formado em frente à igreja de N.S. das Dores, em Juazeiro do Norte

24 de jan. de 2010




Sutilmente na boquinha da noite do domingo até que pega bem ouvir a música...
O tenente-coronel
Ruth de Aquino
Quando o PM do Distrito Federal jogou ao chão a universitária Ingrid Cartaxo, como se fosse uma boneca de pano, e fechou a grade gritando “O que que é? O que que é?”, pensei: “Esta é a imagem de um governo desmoralizado, truculento e autoritário”.Desmoralizado pela corrupção e por manobras para garantir a impunidade. Truculento pela covardia contra jovens. Autoritário por não suportar contestação.Identificado como tenente-coronel Cláudio Armond, comandante do 3o Batalhão, o policial militar perdeu o controle e empurrou fortemente a estudante de ciências sociais da Universidade de Brasília, que registrou queixa na Comissão de Direitos Humanos da Câmara contra a agressão. Havia suspeita de fratura no braço de Ingrid.O mais preocupante é que essa cena começa a fazer parte da paisagem de Brasília.A agressão ocorreu na quinta-feira. Estudantes depositaram 30 sacos de esterco na frente da Câmara Legislativa, em protesto contra as manobras para acabar com a CPI da corrupção.A inabilidade da PM – um eufemismo – vem se repetindo desde o início de dezembro, com contornos mais e menos violentos. E ninguém faz nada. Porque encara tudo como normal.É inacreditável e vergonhoso que um país democrático não saiba lidar com manifestações políticas. Especialmente um país que enfrentou uma ditadura militar.Qualquer cidadão brasileiro que conheça Paris sabe que as manifs (apelido carinhoso de manifestations) bloqueiam avenidas da capital francesa quase todo fim de semana e são protegidas, não atacadas, pelas forças da ordem. O trânsito é desviado pela polícia. E o direito de expressão é garantido. A passeata transcorre sem problemas.Dá arrepio pensar quantos jovens seriam feridos ou morreriam nas mãos da PM de Arruda se promovessem quebra-quebras como os protagonizados por universitários em Paris nos últimos anos.A PM armada precisa aprender a agir com serenidade e só usar a força quando não há outra alternativa. Senão, é abuso de poder.No dia 9 de dezembro de 2009, em Brasília, cavalos, gás lacrimogêneo, balas de borracha e cassetetes foram arremessados contra estudantes.A tropa de choque convocada pelo governador José Roberto Arruda para reprimir o protesto contra o mensalão do DEM agiu com brutalidade extrema. Um coronel chegou ao corpo a corpo com um manifestante.Qual é a opinião do coronel Alberto, chefe de Comunicações da PM de Arruda? “Os manifestantes perturbaram terceiros, afrontaram a população de Brasília, porque não atenderam a nossos apelos para desbloquear a via e dar fluidez ao trânsito.”Sobre o confronto pessoal, Alberto disse em linguagem de código: “O coronel acabou entrando em vias de fato devido às circunstâncias”. Afirmou que “a PM de Brasília treina exaustivamente para evitar conflito” e que “vem demonstrando capacidade muito grande de negociação”.
* Ruth de Aquino é diretora da sucursal da ÉPOCA no Rio