13 de jul. de 2009



Sinal Fechado

H
oje, 40 anos depois.
Uma viagem no tempo: o quinto e último Festival da Música Popular da TV Record, em 1969, começava a consagrar, em definitivo (aliás, a consagração total aconteceu um ano depois com a gravação de Foi um rio que passou em minha vida) um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira: Paulinho da Viola. Com Sinal Fechado, uma letra enigmática, a música do artista foi classificada em primeiro lugar. Aquele Festival da Record, que nos anos anteriores revelou tantos ícones (Chico Buarque de Holanda, Nara Leão, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Elis Regina, Geraldo Vandré, Os Mutantes, Tom Zé, Edu Lobo) e outras tantas melodias (como A Banda, Alegria Alegria, Domingo no Parque, Disparada), terminava de forma melancólica.
O público já não se interessava tanto (reparem no vídeo acima, o desânimo da plateia). O Brasil já vivia sob a repressão do AI-5 e o medo dominava as pessoas. Já não despertava tanto interesse nos artistas. Muitos, perseguidos pela ditadura militar, foram embora do Brasil.
Paulinho quase não conseguiu cantar, tanto era a apatia da plateia.
Mas, Sinal Fechado ficou na antologia da Música Popular Brasileira. E, com uma letra com conteúdo subliminar, tornou-se um grito silencioso contra a censura no país. Chico Buarque depois gravou, no início dos anos 70, do século passado.
A vela que o poeta esqueceu

Além das decantadas velas de suas jangadas, que tremulam na canção de Belchior, o Mucuripe também guarda uma outra, esquecida pelo poeta, ignorada por guias turísticos e pela maioria da população.
Quem passa pela Praça dos Amigos da Marinha, naquele bairro, vai observar uma estrutura preta esquisita, parecendo sair da terra. Trata-se da vela de um submarino americano, modelo Amberjack, usado na II Guerra, e que nove anos depois do conflito bélico foi vendido ao Brasil, já como sucata, e rebatizado como S-14 Ceará.
Como o nome do nosso Estado estava escrito lá, escolheram o solo da capital cearense como sua última morada. Além do mais, o Amberjack guarda uma façanha, registrada em tempos de potência e de glória: foi o primeiro submarino a emergir sob forte impulsão, mostrando “o nariz” de nove metros ao sol.
Construído em 1944, em plena efervescência da guerra, além das incursões beligerantes, anos mais tarde, já em 1950, foi alvo do noticiário internacional. A Revista The National Geographic Magazine publicou reportagem fotográfica relatando o salto para fora d’água , numa manobra executada com perícia e arrojo pelo seu comandante. Durante a guerra, foram construídas 400 unidades do Amberjack.
O modelo tinha comprimento de 100 metros, os deslocamentos chegavam à velocidade de 40 km na superfície e de oito, submerso. A frota saiu de circulação, nos Estados Unidos, em 1952. Várias unidades foram vendidas à Marinha brasileira, e uma delas passou a ser denominada de S-14
Ceará, até a sua completa desativação.

Há alguns anos, um grupo de cearenses integrantes da Sociedade dos Amigos da Marinha conseguiu junto às autoridades militares trazer a vela do antigo submarino e transformá-la em peça de museu, instalada na Praça dos Amigos da Marinha.

12 de jul. de 2009

Chaplin na carreira
de Roberto Carlos



Roberto Carlos, que ontem, comemorou 50 anos de carreira, tinha admiração por Charles Chaplin. Por exemplo: no clipe acima aparecem figuras representando Carlitos, personagem imortal de Chaplin. Mas...


...o "rei" tinha outra "admiração" pelo ator, diretor e compositor do cinema mudo.
Essa é cabeluda... RC e seu parceiro inseperável, Erasmo Carlos, plagiaram literalmente a melodia de uma composição de Chaplin, na música Amigo (1977).
Esse filme é um dos poucos que Chaplin fez e que ele não aparece em cena.

SAUDADES DE QUIXERAMOBIM


Manuel Bandeira*

O cabeçalho desta crônica mais parece título de alguma valsinha. Aliás, se eu tivesse bossa para a música, gostaria de compor três valsinhas – Saudades de campanha, Saudades de Teresópolis e Saudades de Quixeramobim. Poria num chinelo a Antógenes Silva com as suas Saudades de Ouro Preto e Saudades de Uberaba, essas duas delícias.
Creio que as saudades de Quixeramobim não são as que mais doem. Como me doem as de Paris . Porque a verdade é que não estive em Paris: estive durante três dias num quarto de hotel na Rua Balzac. Do mesmo modo, não estive em Quixeramobim: estive durante uns meses num sobradão da praça principal da cidade, em frente à velha matriz, e se estou batendo esta crônica de saudade é porque vi no Cruzeiro de umas semanas atrás uma fotografia do templo, não como é agora, desfigurado pela restauração, mas como era ainda em 1908.
Os dois veteranos pardieiros, a igreja e o meu sobrado, pareciam as duas personagens de um apólogo dialogal. Dois fantasmas. A casa dava fundos para o rio, de sorte que, logo que eu cheguei, fui à janela ver o rio. Foi uma grande lição de geografias: não havia rio nenhum: O Quixeramobim estava seco, seco; o que eu vi foi um areal, branco como uma praia, sobre o qual se arqueava a enorme ponte de estrada de ferro. E nesse areal várias cacimbas. O sobrado, que tinha um ar de mal-assombrado, era de tantas e tão espaçosas peças, que a matuta que levei para lá como cozinheira se perdia nele e um dia me disse, atarantada, que não sabia navegar naquela casa, não!
Eu vivia encantoado na sala da frente, que de um oitão a outro, com várias sacadas para o largo, mobiliada ( atenção, revisor: não ponha “mobilada”, que é uma palavra que eu detesto! ) com uma cama-de-vento, uma cadeira e um lavatoriozinho de ferro.
De vez em quando morria um cidadão de Quixeramobim e o sino grande da matriz entrava a dobrar. Era formidável. Sino de Quixeramobim, baterás por mim? Dizia eu comigo pressagamente. Quantas vezes, a horas diversas, chegava eu a uma das sacadas de frente e ficava a olhar a velha igreja! Onde nunca entrei e hoje tenho pena. Tudo isso virou saudade e sinto grandemente não ter bossa para escrever a valsinha que a exprimisse bem no estilo amolescente de Antenógenes Silva.


* A crônica Saudades de Quixeramobim, de Manuel Bandeira( 1886/1968), escrita em 1956, faz parte da coletânea de crônicas do autor pernambucano publicada, em 1957, no livro Flauta de Papel – Coleção Cronistas do Brasil. O grande poeta brasileiro relembra os dias em que esteve na cidade cearense (também passou curta temporada em Maranguape e Uruquê), em 1908, em busca de clima apropriado para tratar de tuberculose, doença que o atormentou até a morte.
Bombou na web


A marca de água mineral francesa Evian mostrou, na semana passada, que bebês na publicidade ainda dão resultados.Caprichou na computação gráfica e criou um vídeo em que nenês patinadores fazem manobras incríveis ao som de rap. Ja são 5 milhões de acessos. O making of também virou hit, visto mais de 300 mil vezes.




De um lado, um trem de carga pesando toneladas. De outro, um tornado poderoso. Quem leva a melhor? Um vídeo incrível feito com a câmera de segurança em cima de um dos vagões mostra que o trem não tem a menor chance. O monstro de ferro sai dos trilhos, derrotado. Foi visto 600 mil vezes.
Fonte: Revista Época