15 de jun. de 2009

No Ceará é assim...

CENA- 1A ILHA DA FANTASIA

Cerca de R$ 250 milhões do nosso dinheiro, do contribuinte, serão investidos no Oceanário Acquário Ceará. Será construído na Praia de Iracema, com a previsão de estar pronto até o final do ano que vem.O Governo do Estado produziu uma maquete visual belíssima, para promover a construção do dito Acquário.
Vejam a impressionante ficção.




No Ceará é assim

CENA - 2 FOME BRABA



Cenas cearenses estão nas telas dos principais cines do país. É o filme Garapa, de José Padilha, diretor de Tropa de Elite e Ônibus 174. Os cenários não são as praias belíssimas do litoral nem os personagens encenam a sensualidade da mulher nordestina, por exemplo. Não. Os atores são integrantes de três famílias: uma moradora em Fortaleza e as outras duas no Interior do Estado. Depois de uma exaustiva pesquisa, pelo Brasil, em busca de pessoas para filmar, o diretor encontrou aqui seus modelos. Segundo ele, os cearenses filmados, em seu documentário, representam mais de 900 milhões de pessoas em todo o mundo, que segundo a FAO, o órgão das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação, vivem naquilo chamado pelas autoridades como "insegurança alimentar grave". Fome braba mesma. E se alimentam de garapa: uma mistura caseira de água com açucar e que muitas famílias no mundo e também, no Brasil, dependem dessa mistura para sobreviver.


Maquiavel, um cabra safado

Os fins justificam os meios. É melhor ser impetuoso que tímido. O povo tem memória curta.

São algumas das máximas que correm o mundo, de Nicolau Maquiavel, autor de O Príncipe.

Maquiávelico ficou como sinônimo de pessoa de má-fé, de astuto.

Só que paralelo aos ensinamentos que Maquiavel oferecia aos governantes, como dicas de como administrar, conviver com amigos e inimigos, ele era um devasso, e tinha uma vida amorosa, fora da família, bem movimentada, sexualmente.

Às vezes, quebrava a cara.

Li, recentemente, na revista Piauí, uma matéria de autoria de Caio Túlio Costa, que apresenta uma carta em que, Maquiavel, conta a desventura que ter transado com uma mulher horrível de feia. "Sua boca parecia a de Lorenzo de Médici, mas era torta para um lado, e desse lado escorria uma baba porque não tendo nenhum dente, ela não podia conter a saliva..."

E nessa carta, ele descreve detalhes do ato.
Os momentos mais picantes do tal colóquio amoroso, descrito por Maquiavel:
“Eu cauteloso, que sou, senti-me bastaste amedrontado; porém, ficando a sós com a tal e no escuro (já que a velha saiu logo da casa, fechando a porta), para encurtar a história, sozinho com ela naquele breu, eu a fodi de só um golpe. Embora sentisse as suas coxas um pouco moles e a sua xoxota desanimada – e o seu hálito era um pouco fedido -, ainda assim, excitado como estava, fui aos finalmentes com ela”.

Segundo o autor do texto, "o relato é tão escalafobético que, alguns maquiavelistas levantam dúvida sobre sua veracidade. Roberto Ridolfi, autor da mais famosa biografia do florentino, afirma que é "provavelmente verdadeiro. E racionaliza: "A descrição dos detalhes é forçada demais para ser verossímel, demasiado realista para ser real".

14 de jun. de 2009



E o Maguila agora é cantor
Olhem aí, a cara do “novo intérprete”, na geleia geral do caldeirão da música: o ex-pugilista Maguila. O ex-boxeador lançará, em julho próximo, o CD Vida de Campeão, e traz como carro-chefe a música Dei um soco na preguiça, pra moleza não baixei a guarda.
Será muita luta, no ringue dos ouvidos de quem pensar em ouvir tal cantor.
E na publicidade do “disco”, ele usa uma boina, parecida com a que usava, o sambista Bezerra da Silva. Ainda bem que é só a boina...
Depois de ter saturado o saco dos telespectadores, em programas humorísticos, sempre sendo bobo da corte, Maguila, agora, parte para um novo ataque: ser cantor.
O que impressiona, no mundo midiático, é a desfaçatez, o descaramento e a cara-de-pau de muitas figuras carimbadas fazerem de um tudo para se manterem em evidência.
Apertem os ouvidos...

Os gatinhos do Parque do Cocó

O Parque do Cocó, pedaço verde de Fortaleza (embora cada vez mais despedaçado com a invasão imobiliária), é palco de grandes shows, concentrações religiosas, espaço para caminhantes em busca de vida saudável, ponto de táxi, banca de revistas...
E há algum tempo, viveiro de gatos.
Embora, sob o carinho de pessoas protetoras de animais, a existência dos felinos, naquele logradouro, provoca questionamentos.
Os gatos são vacinados regularmente? A saúde pública está preservada contra possíveis contágios de doenças? O Serviço de Vigilância Sanitária permite a criação indiscriminada de animais a céu aberto? A vizinhança é incomodada ou prejudicada por conta dos odores de fezes e de urina exalados pelos bichanos?
Caso, esses preceitos sejam cumpridos e a convivência com os vizinhos seja pacífica, até que pega bem
ver os gatinhos,
enfeitando a paisagem do Cocó.


Jessier Quirino



Massageando almas


“Vou-me embora pro passado

Pra não viver sufocado

Pra não morrer poluído

Pra não morar enjaulado

Lá não se vê violência

Nem droga nem tanto mau

Não se vê tanto barulho

Nem asfalto nem entulho

No passado é outro astral

Se eu tiver qualquer saudade

Escreverei pro presente

E quando eu estiver cansado

Da jornada, do batente

Terei uma cama Patente

Daquelas do selo azul

Num quarto calmo e seguro

Onde ali descansarei

Lá sou amigo do rei

Lá, tem muito mais futuro

Vou-me embora pro passado”

Trecho do poema Vou-me embora pro passado, de Jessier Quirino.



Ele se considera arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção, é paraibano de Campina Grande e filho adotivo de Itabaiana, onde reside há 20 anos. Animador e conversador das coisas do sertão, Jessier Quirino é dono de verve poética em que a inspiração, a espiritualidade se aconchegam à hilaridade de causos e vivências sertanejas. O poeta foi mais longe, quando rompeu as fronteiras de alma veneradoras do passado, concebendo o poema Vou-me embora passado.

E, foi entrevistado pela Singular:

Como surgiu Vou-me embora pro passado?

Eu sou meio saudosista. Às vezes, até penso que nasci na era errada. E sempre tive muito interesse por objeto de decoração e sempre olho isso, com um olhar muito muito terno.E em uma certa ocasião, vendo revistas, como O Cruzeiro e coleção da Coletânea que uma revista que papai me deu, vi aquelas propagandas, e fui para essa linha. E como gosto muito de fazer jogo de palavras e utilizar paráfrase, criei Secas de Março, em cima de Águas de Março, de Tom Jobim..E para juntar essas coisas do passado, me agarrei na poesia de Manuel Bandeira, Vou embora pra passárgada. Aí, peguei, e criei Vou-me embora pro passado. Foi um trabalho de pesquisa, folheando revistas, livros, coisas da minha época e de outros tempos antigos. E isso tem massageado a alma da muita gente por aí.